A mãe de Jesus – Por Dom Sérgio Eduardo

Hoje milhares de pessoas se reúnem em Belém do Pará ao redor da imagem de Nossa Senhora de Nazaré. Ontem em todo o Brasil multidões se reuniram em procissões e concentrações para expressar carinho, devoção e confiança na proteção de Nossa Senhora Aparecida, venerando a pequena imagem que apareceu nas águas de um rio, achada por pescadores que ganhavam o pão de cada dia.

Dom Sérgio Eduardo Castriani Arcebispo - Metropolitano de Manaus
Dom Sérgio Eduardo Castriani Arcebispo – Metropolitano de Manaus

Para os católicos, a devoção a Maria, a mãe de Jesus é natural e não precisa ser explicada e nem justificada, muito embora há longos tratados teológicos a respeito do assunto. Encontrar-se com Jesus é encontrar-se com sua mãe, nada mais natural. Se o mistério da encarnação é central no cristianismo, e é real, biológico, nada mais evidente que reconhecer a participação da mãe do Verbo encarnado no mistério da salvação e nada mais humano que recorrer a ela como auxilio e proteção.

Na história da Evangelização e da Missão a piedade popular foi reconhecendo a presença de Maria na vida do povo, na vida das famílias e na vida da Igreja. Nas horas de aflição e nas horas de alegria, nos momentos festivos e de solidão as ave-marias rezadas com atenção ou despreocupadamente vão acompanhando a nossa história pessoal e comunitária. Maria é mãe e, basta isto para ser importante e fundamental. Todos nós sabemos o que significa a figura materna nas nossas vidas. E sabem disto mais ainda aquelas que têm o privilégio de serem mães.

No entanto nesta semana, tão mariana e tão feminina, em que tudo se tinge de rosa na luta contra o câncer que mais mata as mulheres, e inebriados pelo feminino que dá beleza e leveza as nossas vidas, sentimos vergonha de um dado que foi publicado pela mídia. Apesar da lei Maria da Penha, a violência contra as mulheres aumentou.

É evidente que não podemos esperar milagres com a aprovação de uma lei. É preciso implementá-la e isto leva tempo. Mas tem um gosto amargo saber que a violência aumentou. É claro que as razões são muitas. Mas fica evidente que não basta aparelhar o Estado e seus poderes constituídos com leis, é preciso reformar o próprio Estado e suas instituições para que de fato sirvam o povo, que é a razão de sua existência. Há muitas reformas a serem feitas, entre elas a política, necessárias para que a violência contra os indefesos desapareça. É preciso repensar a educação, a cultura, os meios de comunicação, a família.

Que a devoção a Maria tão presente no nosso país ajude-nos a construir uma nação pacifica e a sermos um povo não violento. Oxalá no futuro possamos nos orgulhar de sermos um povo onde as mulheres não sofram violência impunemente. Nas celebrações que participo este é o meu pedido à Mãe de Jesus. Que os corações sejam transformados e que a violência cesse. E que quando a violência acontecer a justiça seja restaurada e que aos violentos não seja permitido agir sem que se preste contas a sociedade e que o Estado brasileiro esteja de fato e não só de direito a serviço dos mais vulneráveis, no caso, as mulheres.

 

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