A culpa é da imprensa – Por Alexandre Garcia

A culpa é da imprensa – Por Alexandre Garcia

O esporte favorito do ex-presidente Lula é queixar-se da imprensa. Agora mesmo reclamou que a imprensa fala do José Dirceu e até investigou o hotel que lhe oferecera emprego, mas nada fala do helicóptero do deputado que foi encontrado com 445 quilos de cocaína na fazenda dele.

Certamente, não poderá se queixar de mim, que cobro quase todos os dias em 230 emissoras de rádio CPI e maiores investigações policiais para esclarecer a questão da cocaína “helitransportada”. Mesmo porque ajudei Lula naquele debate com o Collor – lembram-se daquela Constituição que ele brandiu “este livrinho que me acompanha 24 horas por dia”.

Pois era a minha, que emprestei a ele. Além disso, ajudei-o a eleger-se, com meu voto. Aliás, a maioria dos jornalistas sempre foi simpática a Lula, desde que ele surgiu.
Ao se tornar presidente, mostrou-se avesso à crítica, e passou a se queixar da imprensa. Lula não conhece o cerne da imprensa, como revela o grande Millôr Fernandes: “Imprensa é oposição; o resto é armazém de secos e molhados”. Millôr quis dizer que para elogiar existem os áulicos da corte.

A função do jornalismo é apontar os erros, criticá-los para que sejam corrigidos. Pois lula, ao fazer a comparação entre Dirceu e o helicóptero, concluiu que “é uma anomalia daquilo que a gente deseja, que é a liberdade de imprensa”. Não entendeu o que seja liberdade de imprensa, que não está condicionada ao desejo de alguém, ou deixaria de ser liberdade. Liberdade é liberdade – e ponto.

Esse desentendimento está inoculado no PT, que sonha com o controle dos meios de informação. Agora mesmo, o assessor da Presidência Marco Aurélio Garcia e o ex-presidente do partido, Ricardo Berzoini, preparam um documento para reafirmar esse desejo. O eufemismo para esse controle é “democratização da mídia”.

Os soviéticos usaram muito isso. Na ditadura cubana usa-se há mais de meio século. Minha filha jornalista passou uma semana de férias em Havana e adorou – tal como Chico Buarque. Mas, ao contrário de Chico Buarque, voltou penalizada com o povo cubano.

Conversou com muita gente na rua. Perguntou sobre Yaoni Sanchez. Nunca tinham ouvido falar. Explicou que é uma blogueira da internet. Internet? Está fora do alcance do povo.

Depois, quis saber da genial equipe feminina de vôlei. Ninguém soube responder. Explicaram que só sabem o que o governo quer divulgar. Os meios de informação estão todos “democratizados”, isto é, sob controle da ditadura. Ela encontrou o medalha de ouro e detentor até hoje do recorde de 110 metros com barreiras, Dayron Robles, treinando descalço.

O sonho de muitos atletas é competir no exterior, para ter a chance de fugir. Sonho que Lula converteu em pesadelo para dois boxeadores cubanos. Levados de volta a Cuba, baixou sobre eles o manto do silêncio, que aqui não está baixando sobre a cocaína do helicóptero.

Endividamento – Nunca antes na história deste país o brasileiro esteve tão endividado. Só para os bancos, os brasileiros estão devendo R$ 1 trilhão  215 bilhões. Isso no mês das compras de Natal e no mês do 13º salário. A soma das dívidas com os bancos é oito vezes o montante que os brasileiros vão receber como 13º. São dados do Banco Central.

Os juros são altíssimos. O do cheque especial é de 149% ao ano – quer dizer, duas vezes e meia o valor da dívida. Quem tirou mil reais fica devendo R$ 2.500 ao fim de um ano.

A dívida do crédito rotativo pelo cartão, segundo o Banco Central, tem o astronômico juro de 194% ao ano. Ou seja, ao fim de um ano, mil reais se convertem em 2.940. No empréstimo pessoal, o juro é de 45% ao ano, em média. Tirou mil, devolve 1.450. E o governo estimula as pessoas a se endividar.

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