16 anos de PT – Por Alexandre Garcia

O ex-presidente Lula concedeu uma longa entrevista aos Diários Associados, publicada no domingo. Avisou o partido que não vai aceitar o “Volta, Lula”: “Se houver alguém que se diz (SIC) lulista e não dilmista, eu o dispenso de ser lulista”. Na entrevista, reconhece que nem todos no PT gostam de Dilma. “Eu não estou pedindo que gostem dela. Eu quero que as pessoas a respeitem na função institucional e saibam que o PT está lá para apoiá-la”. Quer dizer, gostando ou não, Dilma representa o partido e é o único caminho para manter o poder nas mãos do PT.

Alexandre Garcia - Colunista da agência “Alô Comunicação”
Alexandre Garcia – Colunista da agência “Alô Comunicação”

Lula, assim, já determina o que a convenção do partido deverá homologar. Roma locuta, causa finita. Lula falou, não se discute mais. E já tem os planos para a campanha, acertados com o marqueteiro João Santana. Ele próprio já ironizou a situação, comentando que elegera dois postes: Dilma e Haddad. Agora vai para a reeleição de Dilma e o quarto mandato presidencial petista-lulista. “Eu vou percorrer o Brasil como se eu fosse candidato” – disse ele sem pejo. “Se ela não puder ir para o comício num determinado dia, eu vou no lugar dela. Se ela for para o Sul, eu vou para o Norte. Se ela for para o Nordeste, eu vou para o Sudeste”. Ou seja, na campanha eleitoral, o território ficará coberto pela candidatura Lula-Dilma.

Essa entidade dois-em-um modelo Santíssima Trindade é mais bem explicada na entrevista de Lula: “Quero ser a metamorfose ambulante da Dilma”. Quer dizer, a crença de que Dilma é a metamorfose ambulante de Lula encontra reciprocidade: Lula quer ser também a metamorfose ambulante de Dilma. Na entrevista, pela primeira vez, ele se pronunciou sobre o escândalo Rosemary e mostrou que não está preocupado com isso. “O que o CGU fez foi confirmar o que todo mundo já sabia. O servidor que comete algum ilícito tem que ser exonerado.”

Tampouco parece preocupado com os adversários. Criticou o PT e o governo por terem deixado o PSB de Eduardo Campos se desgarrar. “Foi um prejuízo ter o PSB e o Eduardo do outro lado”. Mas levantou a hipótese de ser constituída uma chapa Dilma-Eduardo. Criticou Marina por não ter coragem de usar a palavra partido na sua Rede de Sustentabilidade. E foi venenoso com os tucanos, lançando dúvida sobre a candidatura Aécio: “Sabe-se lá o que o Serra vai tramar contra o Aécio”. Lula conhece Serra. Como só do Bolsa Família já virão 30 milhões de votos, Lula sabe que não vai ser difícil o PT garantir 16 anos. Mais que a Era Vargas, do todo-poderoso Getúlio, o pai dos pobres, que governou de 1930 a 1945.

Espionagem – Semana passada, quando a Polícia Federal desencadeou prisões e apreensões da Operação Miqueias – a da lancha de 5 milhões e dos carros esportivos de quase 3 milhões cada um – descobriu-se que a quadrilha tinha gente de confiança a ocupar cargos de confiança na Secretaria de Assuntos Institucionais da Presidência da República e no Ministério da Previdência. Se tivéssemos um bom serviço de inteligência, essas pessoas nem seriam recrutadas para o serviço público. O perigo é termos um serviço assim e ele não ficar a serviço do Estado brasileiro, mas a serviço do governo e do partido que estiver no governo, como tem acontecido desde o início. Quando implantou o SNI, então Serviço Federal de Informação e Contrainformação, em 1956, Juscelino Kubitscheck o usava para se proteger de Carlos Lacerda e de outros opositores, prever greves e vigiar movimentos esquerdistas, conta a história.

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