Papa pede a famílias que perseverem diante da crise econômica

Milhares de peregrinos participaram de ritual noturno em Roma que relembra o calvário de Cristo até sua crucificação.

 O papa Bento XVI celebrou a Sexta-Feira Santa em meio a questionamentos sobre valores relativos à família e problemas trazidos pela crise econômica.

“Em nosso tempo, a situação de muitas famílias se vê agravada pela precariedade do trabalho e por outros efeitos negativos da crise econômica”, disse o papa ao final da tradicional Via Crucis noturna no Coliseu de Roma, que lembra o calvário de Cristo.

Neste ano, as reflexões da Via Sacra foram sobre a família. Os textos foram escritos pelo casal Danilo e Anna Maria Zanzucchi, que estão casados há quase 60 anos e possuem cinco filhos e 12 netos.

A cerimônia foi presidida pelo papa no terraço de Monte Palatino e contou com a participação de milhares de peregrinos que levavam tochas e velas ao redor do célebre monumento romano que recorda o martírio dos primeiros cristãos.

“A experiência do sofrimento e da cruz marca a humanidade, marca inclusive a família. Quantas vezes o caminho se faz fatigoso e difícil. Incompreensões, divisões, preocupações pelo futuro dos filhos, doenças, dificuldades de tipos diversos”, completou.

O rito noturno, que foi transmitido diretamente a diversos países do mundo, foi aberto pelo cardeal viário de Roma, Agostino Vallini, que carregou a cruz na primeira estação, seguido por famílias de Itália, Irlanda, Burkina Faso e Peru.

“Na aflição e na dificuldade, não estamos sós; a família não está só: Jesus está presente com seu amor”, afirmou o papa, que vestia paramentos vermelhos.

Semana Santa

Após o retorno de sua importante viagem ao México e Cuba, Bento 16 iniciou na quinta-feira a maratona de celebrações da Semana Santa, a data mais importante do calendário católico.

Na quinta-feira, o papa celebrou a missa pedindo aos cristãos que “se ajoelhem” perante Deus para melhor resistir ao “poder do mal”.

Durante a missa solene, celebrada na Basílica São João de Latrão, o pontífice seguiu a tradição lavando os pés de 12 padres da diocese de Roma, como Cristo fez com seus apóstolos durante a Última Ceia, antes de sua prisão e crucificação.

Mais cedo, durante a solene Missa Crismal celebrada na Basílica de São Pedro, a primeira da Quinta-Feira Santa, o papa condenou os apelos à desobediência, tais como os lançados na Áustria pela ordenação de mulheres. O pontífice considerou que a desobediência constitui um “impulso desesperado” e não o caminho para a renovação de uma Igreja que está “em uma situação dramática”.

“Recentemente, um grupo de sacerdotes de um país europeu fez um apelo à desobediência, também deram exemplos concretos de como expressar essa desobediência”, declarou Bento 16 aos 1,6 mil cardeais, bispos e padres presentes.

Nesta sexta-feira, Bento 16 deu início à Sexta-Feira da Paixão com uma oração silenciosa ajoelhado no Vaticano. Bento 16 colocou suas mãos sobre uma almofada vermelha perto do alta central da Basílica de São Pedro, enquanto orava pela morte de Jesus Cristo quando crucificado.

No domingo, Bento 16 presidirá a tradicional Missa de Páscoa na Praça São Pedro, no Vaticano.

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